31/10/2008

-mais uma dose? é claro que eu tô afim..

-Ali de pé, contando as gotas caindo no copo de água.. um, dois, três - não custa muito - quatro, cinco - é só prender a respiração - seis, sete, oito, nove - se for de uma vez é garantido - dez, onze - sim, é o único jeito - doze - vamos, é só engolir e não vomitar - treze, quatorze, quinze, dezesseis - ...não vou conseguir - dezessete - não, não... - dezoito, dezenove, vinte. já era. os vinte segundos entre a vida e a morte e escolhi pela vida, de novo a vida, mas a minha não deveria se chamar "vida", está mais para semi-vida, semi-tudo, ou semi, somente semi. nem mais e nem menos.
as pílulas a mão, o veneno para ratos diluído em água, a brisa que anunciava a chuva entrando pela fresta da janela quebrada, mas faltou coragem.. ou será que tal vontade pode ser considerada ato de coragem? cheira mais a medo, um ato de fuga. você sempre foi medrosa, não é? sempre teve medo de tudo e todos, enquanto seu pior inimigo foi sempre você mesma, e ainda assim quer se considerar corajosa por tomar essa decisão.. talvez fosse coragem mesmo se tivesse ido até o fim, mas você não foi.
agora esta aí, com piedade de si mesma por querer dar adeus a essa semi-vida de derrota atrás de derrota, mesmo sabendo que qualquer sofrimento jamais seria dor justificável para isso, ainda mais sendo você, filhinha única de familia da "plebe rica", teve tudo o que sempre quis, sempre invejada pela mãe de sua prima, estudou em colégio particular, mamãe nunca deixou brincar na rua.
agora você é só reflexo do que um dia foi uma menina da baixa burguesia, e por escolhas próprias, escolhas essas que permitem que as reclamações possam ser feitas somente a si própria, e é o que mais te mata por dentro. sim, é o que mata, mas será que você já não vem morrendo há algum tempo, então?! por isso vive uma semi-vida, você matou seus sonhos, seus desejos, acabou com suas mais doces esperanças afogando todas no amargor de seu âmago intenso, sufocou cada chance de felicidade restante com promessas de um amanhã melhor, de reconstruir tudo amanhã, e amanhã, amanhã, sempre amanhã.. e esse amanhã chegou e você nada fez, você não é nada, NADA!
todos que conviveram com você hoje cursam uma boa faculdade, fazem aquilo que gostam, estão encaminhados para um bom emprego, têm carro próprio, alguns até seu próprio apartamento e você? você tem o mesmo quarto desde quando nasceu dentro da casa de seus pais, é uma desempregada amarga e desiludida, empurra com a barriga a chance de uma boa faculdade.. e reclama da vida estar ruim e quer acabar com ela.
é, talvez você não mereça mesmo viver, aliás.. o que está fazendo aqui ainda? nem adianta chorar, o copo ainda está em sua mão, as pílular a sua frente, vá em frente, a decisão é sua.. sobreviver com uma semi-vida, tomar o sono do adeus ou quem sabe, ter coragem o suficiente para fazer a pior das coisas: se perdoar, e.. recomeçar a viver.

2 comentários:

Mash Potter Króiss Cobain disse...

Apesar de triste esse texto fiko foda, cmo ja te disse o começo, das gotas caindo me deixaram atonita, e me prendaram no texto de tal forma q mesmo q se eu nao quisesse ler eu teria ido ate o fim.
E puts eu sei, q parece papinho, cmo vc me disse hj, mas eu sinto oq vc sente, pra outras coisas, pq eu faço facul e pá, mas nao tenhu um carro, nem carta, e bem, sei q os sentimentos sao parecidos, talvez pra vc seja mais forte. E meu, confessar q me preocupo por vc nao estar estudando, pq nem o harry e nem o rony iam kerer q o outro demorasse mais, mas nunca eh tarde, e acredito q vc vai começar e terminar logo!!
torço por vc
te amo

Leandro Tavares disse...

sabe que soou uma mescla de bukovski com roland topor no seu texto... achei muito interessante